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Brasil x Austrália: Primeiro teste da Seleção depois da Copa

Austrália x Brasil terminou empatado em 1 a 1 nesta sexta-feira, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, e deixou um gostinho de alívio para Carlo Ancelotti. A Seleção Brasileira saiu atrás no placar, viu os Socceroos sonharem com um resultado histórico e só conseguiu igualar o marcador já nos acréscimos, com um cabeceio do jovem Rayan. Foi um baita susto para quem esperava passeio no primeiro compromisso do novo ciclo.

Depois da eliminação para a Noruega na Copa do Mundo de 2026, este Austrália x Brasil tinha o peso simbólico de reabrir o trabalho de Ancelotti sem a pressão do Mundial. E, ironicamente, o time entrou em campo com nove estreantes e quase levou a pior diante de uma Austrália também remodelada por Tony Popovic. Veja abaixo como foi a partida, os gols, as escalações reais e o que este resultado sinaliza para o segundo confronto, marcado para terça-feira em Brisbane.

Austrália x Brasil: como foi o jogo

A primeira etapa foi de oportunidades para os dois lados, sem gols, com o Brasil tentando impor a posse de bola e a Austrália se fechando bem no 3-4-3 armado por Popovic. A etapa final começou movimentada, e Nestory Irankunda decidiu resolver sozinho: cobrou uma falta na entrada da área e mandou uma bomba no ângulo, sem qualquer chance para o goleiro brasileiro. Um golaço que já circula nas redes como um dos melhores gols da temporada dos Socceroos.

O Brasil sentiu o baque e passou boa parte do segundo tempo tentando furar a retranca australiana, sem sucesso. A resposta só veio no fim, quando a Seleção pressionou nos minutos finais e chegou ao empate aos 50 do segundo tempo, já nos acréscimos. Rayan, um dos revelação da Copa do Mundo, subiu mais que a defesa australiana e cabeceou para deixar tudo igual: Austrália 1 x 1 Brasil.

Ficha do jogo: escalações reais de Austrália x Brasil

Ancelotti mandou a campo um time sem nenhum sobrevivente do “onze ideal” pré-eliminação, misturando experiência de zaga com juventude no ataque.

Brasil (4-2-3-1): Hugo Souza; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis e Douglas Santos; Danilo Santos e Bruno Guimarães; Estêvão, Raphinha e Vinícius Júnior; Endrick. Técnico: Carlo Ancelotti.

Do outro lado, Popovic surpreendeu ao escalar um inédito 3-4-3, abrindo mão da linha de quatro defensores para arriscar mais no ataque contra o favorito.

Austrália (3-4-3): Beach; Circati, Souttar e Herrington; Italiano, Irvine, Okon-Engstler e Behich; Metcalfe, Irankunda e Yengi. Técnico: Tony Popovic.

O contexto: dois times em plena reconstrução

Não dá para entender o susto de Austrália x Brasil sem olhar para como as duas seleções saíram do Mundial. O Brasil avançou bem na fase de grupos, superou o Japão nos trinta e dois avos de final por 2 a 1, mas caiu diante da Noruega nas oitavas por 2 a 1, resultado que expôs fragilidades na recomposição defensiva e acelerou a decisão de Ancelotti de tocar o barco para frente sem esperar por nomes consagrados.

Por isso Alisson, Casemiro e Neymar, este último com o cartaz de despedida da Seleção depois da Copa, ficaram fora da lista. No banco e em campo, uma geração puxada por Vinícius Júnior, Raphinha e Endrick, ao lado de nove estreantes. O jogo em Townsville deixou claro que essa renovação ainda tem entrosamento para construir: o time sentiu o gol sofrido e só reagiu de verdade nos minutos finais.

A Austrália, por sua vez, também vive fase de transição. Os Socceroos venceram a Turquia na estreia da Copa, perderam para os Estados Unidos, empataram sem gols com o Paraguai e caíram nos pênaltis diante do Egito na fase de 16 avos. Popovic promoveu dez mudanças em relação ao elenco do Mundial para este amistoso, com sete jogadores sem nenhuma convocação anterior para a seleção principal, um sinal de que a prioridade era testar nomes novos, mesmo diante de um adversário do calibre do Brasil.

O retrospecto: um resultado que quebra quase quatro décadas de domínio brasileiro

Quem seguia o histórico entre as seleções sabia que a Austrália raramente incomoda o Brasil. Antes deste jogo, em oito confrontos oficiais desde 1988, a Seleção Brasileira tinha seis vitórias, um empate e apenas uma derrota, com a Austrália balançando a rede brasileira uma única vez em toda a história: em 2001, na Copa das Confederações, gol de Shaun Murphy.

Nos três duelos mais recentes antes deste amistoso, a diferença era ainda mais gritante: 2 a 0 na Copa de 2006, 6 a 0 em Brasília em 2013 e 4 a 0 em Melbourne em 2017, doze gols marcados e nenhum sofrido. O empate em Townsville, portanto, interrompe um padrão histórico de domínio absoluto e mostra que esta Austrália, mesmo em reconstrução, tem argumentos ofensivos na figura de Nestory Irankunda.

Os destaques da partida

Nestory Irankunda confirmou por que é tratado como a grande joia do futebol australiano: aos 20 anos, já soma seis gols pela seleção principal e balançou as redes em cobranças de falta e jogadas de velocidade ao longo do ano, sempre criando perigo para adversários badalados. Contra o Brasil, resolveu sozinho num momento em que a Austrália mais precisava.

Do lado brasileiro, o nome da noite foi Rayan. O atacante, revelado pelo Vasco e hoje no Bournemouth, já tinha se destacado na Copa do Mundo como titular improvisado no lugar de Raphinha, sendo peça-chave na vitória sobre a Escócia e na classificação diante do Japão. Contra a Austrália, entrou do banco e teve a frieza de subir mais alto que a defesa para evitar a primeira derrota do novo ciclo de Ancelotti.

Conclusão: o que o empate em Townsville representa

Mais do que um simples resultado de amistoso, Austrália x Brasil serviu de alerta real para Carlo Ancelotti. A Seleção mostrou qualidade individual suficiente para buscar o empate nos acréscimos, mas também expôs a falta de entrosamento natural de um time recheado de estreantes. Para quem acompanha de perto a formação do novo grupo rumo à Copa América de 2028, este primeiro capítulo em Townsville deixou lições valiosas, especialmente sobre a necessidade de dar mais minutos coletivos a essa geração antes dos próximos compromissos importantes.

O próximo capítulo já está marcado: terça-feira (29), no Suncorp Stadium, em Brisbane, Austrália e Brasil se reencontram para o segundo amistoso da dupla de jogos. Fique de olho aqui no site: traremos a prévia completa do confronto, com as mudanças que Ancelotti deve promover depois do susto em Townsville.



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Amante e especialista em esportes, sempre com um olhar analítico e uma didática que agrada tanto o torcedor casual quanto o fã mais exigente
Revisado por: Prof. Durval de Deus