Quem pedala pela Faria Lima, pela Paulista ou pela ciclovia do rio Pinheiros já percebeu: o trânsito de bicicletas nesses corredores está mais intenso do que há alguns anos. E não é impressão. O número de ciclistas cresce em São Paulo de forma consistente, puxado por uma combinação de fatores que vai além do gosto por pedalar: infraestrutura nova, mudanças no transporte coletivo e uma cidade que, aos poucos, tenta se adaptar a quem circula sobre duas rodas.
Este artigo reúne os dados mais recentes sobre por que o número de ciclistas cresce em São Paulo, o que dizem os estudos da USP e da Fapesp sobre o tema, como está a malha cicloviária hoje e o que isso significa para quem já pedala ou pensa em começar. Também respondemos às dúvidas mais comuns de quem quer entender esse movimento e decidir se vale a pena trocar parte dos deslocamentos pela bike.

Por que o número de ciclistas cresce em São Paulo
Não existe um único motivo. O crescimento é resultado de uma combinação de fatores que se reforçam mutuamente. Primeiro, a cidade ampliou de forma significativa sua rede de ciclovias e ciclofaixas nos últimos anos. Segundo, o transporte coletivo perdeu passageiros, o que empurrou parte da população para alternativas individuais. Terceiro, mudanças de comportamento pós-pandemia deixaram um hábito que se manteve mesmo depois do isolamento social ter acabado.
Há ainda um quarto fator, menos falado: o custo. Com o preço de combustíveis, estacionamento e tarifas em alta, a bicicleta virou opção mais barata para trajetos curtos e médios, principalmente em bairros centrais e na zona oeste da capital.
A expansão da malha cicloviária impulsiona o movimento
São Paulo tem hoje a maior malha cicloviária do Brasil, com cerca de 780 quilômetros de vias com tratamento permanente para bicicletas, somando ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. A meta da Prefeitura é chegar a 1.000 km até 2028, com mais de 230 km de novos trechos previstos para o período.
O efeito da infraestrutura em pontos específicos é expressivo. Na região da Faria Lima e da Berrini, que ganharam ciclovias ao longo da última década, o volume de bicicletas circulando chegou a crescer mais de 1.000% em comparação ao início do período, segundo levantamento da pesquisa Origem e Destino do Metrô. Só na ciclovia da Faria Lima, mais de 12,5 milhões de passagens de ciclistas foram registradas desde 2016.
Isso não significa que toda a cidade sentiu o mesmo impacto. Bairros periféricos, onde a malha cicloviária ainda é escassa, seguem dependendo de vias compartilhadas com o tráfego de carros e ônibus, o que muda completamente a experiência de quem pedala.
Quantos quilômetros de ciclovia tem São Paulo atualmente
De acordo com dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a cidade soma atualmente cerca de 779 a 791 km de vias cicláveis permanentes, dependendo da data de atualização do levantamento. Desse total, a maior parte é composta por ciclovias e ciclofaixas, com uma parcela menor de ciclorrotas sinalizadas em vias compartilhadas.
O que dizem os estudos da USP e da Fapesp sobre o crescimento de ciclistas
Pesquisadores da USP, por meio do Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde (Gepaf-USP), analisaram dez anos de dados sobre mobilidade ativa na cidade, entre 2014 e 2024. A conclusão principal é que morar perto de ciclovias e de espaços públicos como parques e praças aumenta a probabilidade de a pessoa usar a bicicleta no dia a dia. O estudo é considerado inédito para países de renda média e baixa.
Já uma pesquisa anterior, conduzida por Alex Florindo, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP), com apoio da Fapesp, trouxe um dado que exige cautela ao interpretar o tema. Entre 2015 e 2021, mesmo com um aumento de 67,7% na extensão de ciclovias da capital, a proporção geral de ciclistas na amostra estudada não mudou de forma relevante. Ou seja, infraestrutura sozinha não garante mais gente pedalando. O crescimento é desigual e concentrado em regiões específicas, especialmente onde a malha cicloviária está mais consolidada.
O mesmo estudo aponta um perfil ainda dominante entre os ciclistas paulistanos: homens, mais jovens e com um estilo de vida já ativo. Mulheres de meia-idade moradoras de periferias seguem sendo o grupo com menor acesso à bicicleta como meio de transporte, o que os pesquisadores apontam como uma lacuna de política pública.
Migração do transporte coletivo para a bicicleta
Um dado recente ajuda a explicar parte do movimento: segundo a SPTrans, o número médio de passageiros de ônibus na capital caiu de 7,13 milhões por dia em 2024 para 7,05 milhões em 2025. É uma queda pequena em termos percentuais, mas relevante numa cidade do tamanho de São Paulo, e reflete uma tendência de avanço do transporte individual, motocicletas e bicicletas incluídas.
Para trajetos curtos, a bicicleta tem se tornado uma alternativa direta ao ônibus, principalmente em bairros com ciclovia e onde o trânsito de carros torna o deslocamento motorizado mais lento do que pedalar.
Segurança viária: o crescimento de ciclistas trouxe mais acidentes?
Esse é um ponto sensível e que exige dados, não impressões soltas. Historicamente, quando São Paulo investiu forte em ciclovias entre 2014 e 2015, o número de ciclistas cresceu 66% e o número de mortes envolvendo bicicletas caiu 34% no mesmo período, segundo pesquisa do Ibope encomendada pela CET.
O cenário mais recente é mais complexo. Com mais gente pedalando e a malha cicloviária ainda cobrindo uma fração pequena das vias da cidade, cerca de 3,7% do total segundo levantamento da Aliança Bike, boa parte dos ciclistas continua circulando fora de áreas protegidas. Pesquisadores ouvidos por veículos de mobilidade urbana apontam que a maioria dos sinistros com ciclistas acontece justamente onde não há ciclovia, o que reforça a importância de ampliar a cobertura e não apenas o número absoluto de quilômetros.
Na prática, isso significa que quem decide pedalar em São Paulo precisa planejar a rota com atenção, priorizando trechos com estrutura dedicada sempre que possível, e usar equipamentos básicos de segurança, como capacete, sinalização noturna e roupas com boa visibilidade.
Programa Bike SP e outras políticas de incentivo
A Prefeitura tem uma meta ambiciosa: quintuplicar o número de ciclistas nas ruas até 2030, conforme o Plano de Ação Climática do Município de São Paulo. Um dos instrumentos para isso é o programa Bike SP, criado por lei em 2016, mas nunca regulamentado até agora. Em 2026, a cidade testa um segundo piloto do programa, que oferece créditos no Bilhete Único para quem usa a bicicleta em deslocamentos diários, com apoio de pesquisa da USP, Fapesp e Tembici.
Outra iniciativa consolidada é a Ciclofaixa de Lazer, que fecha vias aos domingos e feriados para uso exclusivo de pedestres e ciclistas, funcionando como porta de entrada para muita gente que começa a pedalar por lazer antes de considerar a bicicleta como meio de transporte no dia a dia.
Perguntas frequentes sobre o crescimento de ciclistas em São Paulo
Por que o número de ciclistas está aumentando em São Paulo?
O crescimento combina a expansão da malha cicloviária, a queda no número de passageiros de ônibus, o custo mais baixo da bicicleta em relação a outros meios de transporte e mudanças de hábito que ficaram da pandemia.
Quantos quilômetros de ciclovia tem São Paulo hoje?
A cidade conta com aproximadamente 780 a 791 km de vias com tratamento cicloviário permanente, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, segundo dados da CET e da Prefeitura atualizados em 2026.
É seguro andar de bicicleta em São Paulo?
Depende muito da rota. Trechos com ciclovia consolidada, como Faria Lima, Paulista e a marginal Pinheiros, oferecem mais segurança. Fora dessas áreas, o ciclista compartilha a via com carros e ônibus, o que exige atenção redobrada e equipamentos de segurança.
Qual região de São Paulo tem mais ciclistas?
A zona oeste, especialmente os eixos da Faria Lima e da Berrini, concentra o maior volume de ciclistas, puxado pela infraestrutura cicloviária mais antiga e consolidada da cidade.
O que é o programa Bike SP?
É uma política municipal, criada em 2016 e ainda em fase de testes, que pretende remunerar ciclistas com créditos no Bilhete Único como incentivo ao uso da bicicleta em deslocamentos diários.
O aumento de ciclovias garante mais gente pedalando?
Não necessariamente. Estudo da EACH-USP mostrou que, mesmo com aumento de 67,7% na extensão de ciclovias entre 2015 e 2021, a proporção geral de ciclistas na cidade não cresceu na mesma medida, o que indica a necessidade de políticas públicas complementares além da infraestrutura.
Conclusão: o que esperar da bicicleta em São Paulo daqui para frente
Os dados mostram um cenário de transição. O número de ciclistas cresce em São Paulo, mas de forma desigual, concentrado em regiões com infraestrutura consolidada e ainda distante de se tornar hábito amplo entre diferentes perfis da população. As metas da Prefeitura para os próximos anos, somadas a programas como o Bike SP, indicam que essa tendência deve se acentuar, mas o ritmo depende diretamente de investimento contínuo em ciclovias e de políticas voltadas a quem ainda não tem acesso seguro à bicicleta.
Se você mora ou trabalha perto de um corredor cicloviário e ainda não considerou a bicicleta como opção de deslocamento, este pode ser um bom momento para testar. Comece por trajetos curtos, priorize rotas com ciclovia e invista em equipamentos básicos de segurança antes de expandir a rotina para deslocamentos mais longos.
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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a orientação de um profissional de Educação Física habilitado.
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Revisado por: Prof. Durval de Deus

